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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O Adeus do Armando



Ordália,doze anos de casamento sempre fora uma esposa amorosa e dedicada
Mas... Guardava uma frustração, seu marido Armando era estéril.
Enfim o dia a dia do casal era preenchido por outras conquistas,assim pensavam os amigos e familiares que compartilhavam da aparente vida harmoniosa do casal.

Sexta-feira, manhã de outono, Ordália acordou com o movimento do marido no quarto, espreguiçou-se na cama desejando ficar ali no quentinho do cobertor por mais um tempo, virando-se para o marido,viu que este colocava na mala algumas peças de roupa.
-Bom dia querido!
Ainda sorrindo;

-Que foi Armando?
-Aconteceu alguma coisa?!

Armando sem lhe dar ouvidos, continua arrumando a mala.

Ordália insistiu:
-Vamos viajar?
Armando resmungou qualquer coisa.

Sem entender e nervosa; grita:
-Homem de Deus diga alguma coisa.
-Vamos diga o que esta acontecendo?
-Você esta indo para onde?

Ordália com a mão na cabeça pulou da cama,andando de um lado para outro,
-Que loucura é esta? - Pode me dizer/ - Tem explicação?
Armando sem fitar a mulher, pegou a mala, jogou as chaves do apartamento na cama dizendo;
-Estou de partida!

Desesperada ela tenta agarra-lo pelo braço.
Desta vez Armando fitando-a com olhar frio e desinteressado apenas diz;
-ADEUS!

Ordália ainda insistiu em dete-lo, foi então que rapidamente desejando se ver livre da mulher,
abre a porta do elevador...
Ela apenas teve tempo de ouvir um grito de pavor seguido de um impacto violento.
No estomago um soco,uma reviravolta, em seguida desmaiou!

Minutos depois voltando a si, viu que estava no sofá da sala, cabeça dolorida, tudo
parecia girar, mesmo assim ouviu sussurros e comentários maldosos;
-Que tragédia! ... Coitada! ... Viviam tão bem!...  Filhos? Alguém salienta;
-Não dizem que Ela não pode...
-Que pena... Tão nova e viúva!...

Sentiu arrepios de vômitos.
Ao seu lado o telefone toca... Sem tempo de dizer Alô,
do outro lado da linha, ansiosa uma voz feminina, pergunta:
Alô! Armando?
- 'E Você?

                                             Anna Ribeiro.

2 comentários:

  1. Enredo bem estruturado, uma realidade dos nossos dias onde nada mais é sagrado, e definitivo só mesmo a morte.
    Foi Armando a procurar outras paragens, e o desfecho acaba por ser o primeiro desejo de quem é deixado, felizmente, em geral, tal infelicidade não se concretiza.
    As relações requerem pequenos cuidados, independentemente do número de anos, é como que uma planta que por vezes pensamos já não necessitar de regar…
    Gostei mesmo muito do texto.

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  2. O texto é de uma imaginação ímpar. Quando existe o verdadeiro amor, o ser estéril não leva a uma relação silenciosa e conflituosa. Infelizmente o desfecho foi triste, mas valeu a estrutura bem dosada. Obrigado pela sua honrosa visita ao meu blog.
    Abração.

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