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segunda-feira, 6 de junho de 2011

CONTO-

TARDE EM DESALINHO

                          Anna Ribeiro


Era um outono nublado, uma tarde propicia para um chà... Pensava terminar aquele conto que não conseguia desembaraçar.
Mas... decidiu sair, caminhar pelas ruas.
Quem sabe as inspirações brotariam em seu coração ou seria mente?
Enfim, desceu os degraus da escadaria de seu predio, ja na calçada, passa por ela um homem de aparência descuidada, olhar duro, se não houvesse dado um passo para trás por pouco não teria lhe dado um esbarrão, que alias pareceu nem perceber.

Disfardamente seguiu-o com os olhos, viu dirigir-se ao ponto de ônibus, que decidindo ir ao orelhão, deu meia volta,
Pode então observar que tinha a tez e olhos amarelados, caracteriscas de alcolismo.
Usava um casaco muito gasto, calça com remendos, sandálias rotas, cabelos castanhos desalinhados, barba falha, nas costas uma mochila encardida.
Não somente pela aparência, também pelos gestos rudes parecia carregar espectros do mau...
Sentiu arrepios.

Percebeu no rosto dele a dor do telefonema não atendido .
Mão no peito, na vidraça dos olhos esmaecidos uma lagrima que não conseguiu conter... Passou a manga do roto casaco nos olhos, suspirou!

Olhou para o ônibus que se aproximava, jogou o toco do cigarro no chão, sem erguer a cabeça entrou no ônibus...
Na rua um vento gélido bateu em seu rosto, sentiu uma tristeza... Puxou o ziper do agasalho, olhou em volta, viu na calçada as folhas mortas rolarem ao meio fio...
Como as folhas,  predestinada em passos lentos continua seu caminhar.


                                                             
                                                                                  

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